Em qualquer operação comercial, a gestão de produtos no varejo é o ponto central estratégico das atividades. No âmbito mais amplo do setor de varejo, isso vai além de simplesmente colocar produtos nas prateleiras; trata-se de um processo complexo de supervisão que abrange todo o ciclo de vida de um produto, desde sua concepção até sua obsolescência estratégica. Para que uma empresa de varejo se mantenha relevante, todos os produtos em seu gerenciamento de estoque devem estar alinhados às tendências atuais do mercado, às tendências de vendas, às demandas dos consumidores e às metas comerciais definidas.
Para alcançar esse alinhamento e aprimorar a estratégia de produto para um grande número de novos produtos, é necessário incorporar a tecnologia adequada em todas as etapas do ciclo de vida do produto, desde o planejamento estratégico e o desenvolvimento do produto até a otimização das vendas e a renovação do produto. Este guia analisa as tecnologias específicas de automação operacional necessárias para atingir esses objetivos de negócios e atender às demandas dos clientes.

Principais áreas de atuação da gestão de produtos no varejo
Antes de nos dedicarmos à automação, vamos aprofundar o escopo dessa disciplina. No contexto profissional do varejo, a gestão de produtos é o processo de garantir que os produtos certos sejam oferecidos ao público-alvo pelo preço certo, por meio dos canais de venda adequados. Seu objetivo é alcançar três resultados fundamentais: vendas eficazes, vendas sustentáveis e vendas precisas, que funcionam como indicadores-chave de desempenho.
O processo de gestão de produtos no varejo não é um evento pontual, mas sim um ciclo contínuo composto por cinco etapas sucessivas.
| Palco | Principais responsabilidades | Objetivo estratégico |
| Planejamento de Produtos | Pesquisar as necessidades dos clientes, analisar a concorrência, realizar pesquisas de mercado e definir o plano de desenvolvimento do produto. | Alinhamento e diferenciação no mercado. |
| Desenvolvimento e Introdução | Coordenar com os fornecedores as questões relacionadas ao design e à embalagem; definir as funções essenciais e o controle de qualidade. | Garantir a consistência da marca e a qualidade. |
| Marketing e Vendas | Definir estratégias de preços e marketing; coordenar a disposição dos produtos nas prateleiras e a publicidade. | Impulsionando a conversão e o volume de vendas. |
| Monitoramento e otimização | Acompanhamento de dados de vendas, giro de estoque e feedback do mercado por meio da análise de dados. | Ajustes na estratégia com base em dados. |
| Aposentadoria e Renovação | Retirar gradualmente do mercado produtos obsoletos ou com baixo desempenho para abrir espaço para novas tendências. | Higiene da carteira e eficiência de capital. |
O que é a tecnologia de gestão de produtos no varejo
A tecnologia de gestão de produtos no varejo é o conjunto de sistemas e ferramentas necessários para implementar as estruturas estratégicas mencionadas acima no varejo moderno. O objetivo dessa tecnologia é minimizar o tempo entre uma decisão tomada pela alta administração — como mudanças na estratégia de preços ou o lançamento de novos produtos — e a execução imediata nas lojas físicas e no site em todo o mundo.
O objetivo final da tecnologia é alcançar uma precisão operacional que atenda às expectativas dos clientes. Em um ambiente de varejo ainda manual, a distância entre uma decisão tomada por um gerente de produto e sua execução na loja é muito grande, e essa distância é reduzida pela tecnologia por meio de:
- Preditivo Perspectivas: Utilizar Inteligência Artificial (IA) e análise de dados para prever tendências de vendas e preferências dos consumidores, permitindo que os gerentes passem de respostas reativas para um planejamento proativo.
- Informações Consistência: Unificar descrições de produtos, imagens e especificações técnicas em todos os canais de vendas utilizando dados dos clientes.
- Estoque Precisão: Automatizar o monitoramento dos níveis de estoque para maximizar a rotatividade e reduzir as perdas financeiras decorrentes do excesso de estoque não vendido.
- Agilidade: Permitir ajustes em tempo real nos preços e nas promoções com base no feedback imediato do mercado, a fim de criar experiências personalizadas para os clientes.
Ao atuar como centro de comando e controle do design, da cadeia de suprimentos e das vendas, a tecnologia permite que o gerente de produto atue como CEO de sua linha de produtos específica.
Tecnologias-chave para a automação da gestão de produtos
A transição para o sistema automatizado exige uma infraestrutura técnica sólida, capaz de lidar com o alto volume de dados de uma loja de varejo em pleno funcionamento. Independentemente do tamanho da empresa, o desempenho do sistema depende da organização dos dados, da velocidade com que eles são processados e da eficiência do hardware do sistema no suporte à gestão do varejo.
Gestão Unificada de Dados e Informações sobre Produtos
A automação começa no ponto de origem. A maioria dos clientes do varejo costuma ter seus dados dispersos em vários locais, o que cria o que é conhecido como “silos de dados”, nos quais o centro de distribuição mantém um fragmento de dados (geralmente em sistemas de gerenciamento de pedidos) e a loja mantém outro. Para que a automação seja bem-sucedida, é fundamental criar o que chamamos de Ambiente Unificado de Dados, frequentemente ancorado por gestão de informações sobre produtos.
A padronização de dados é a preocupação mais urgente neste caso. Canais de vendas diferentes exigem informações diferentes. Para que a automação funcione, o sistema deve receber dados brutos dos fornecedores — o que exige uma gestão eficaz dos fornecedores —, padronizá-los (por exemplo, em JSON) e validá-los de acordo com as regras da loja. Dessa forma, você elimina os dados incorretos do processo antes mesmo que eles cheguem aos clientes. Quando há um sistema central (como um PIM), ele se torna a única fonte de verdade. Se um gerente alterar o peso ou a descrição de um produto na matriz, essa alteração é automaticamente reformatada e enviada para as prateleiras, garantindo que as etiquetas escritas à mão estejam sempre corretas.
Automação de preços por meio da nuvem e integração com MQTT
Nas fases de Marketing e Vendas e de Monitoramento e Otimização, a alavanca mais importante é o preço. Automatizar essa alavanca nas operações de varejo exige a melhor arquitetura de comunicação.
- Orquestração baseada em nuvem: O servidor de gerenciamento está na nuvem e se comunica com o ERP por meio de uma API. Quando a equipe de gerenciamento de produtos do varejo deseja alterar um preço devido a uma etapa do ciclo de vida (por exemplo, liquidação na fase de declínio), o servidor na nuvem se prepara para a alteração.
- Protocolo MQTT: O sistema utiliza o MQTT (Message Queuing Telemetry Transport) para notificar milhares de etiquetas físicas em tempo real. Esse protocolo é extremamente eficiente e “leve” para as operações da loja. Ao contrário dos protocolos web comuns, nos quais um dispositivo precisa “solicitar” informações ao servidor repetidamente, o protocolo MQTT permite que o servidor “envie” informações para uma etiqueta sempre que elas forem atualizadas. Esse é um recurso essencial em um sistema que precisa suportar alta simultaneidade, no qual um grande número de etiquetas deve receber atualizações ao mesmo tempo — como em uma loja com milhares de etiquetas —, sem sobrecarregar a rede.
- A interface ESL: Os dados são enviados para Etiquetas eletrônicas de prateleira (ESLs) por meio de estações base locais. Essas ESLs incorporam a tecnologia E-ink (papel eletrônico), que é biestável, o que significa que a tela não requer energia para manter uma imagem e necessita apenas de uma pequena quantidade de energia para reinicializar a imagem. Isso torna os ESLs ideais para a infraestrutura de gerenciamento automatizado de produtos, pois possuem uma exibição permanente, nítida e semelhante ao papel, que pode ser atualizada milhares de vezes ao longo de vários anos com uma única bateria, e podem fazer isso com consumo de energia praticamente nulo.
Sistemas automatizados de acompanhamento de estoque e feedback
Um sistema verdadeiramente automatizado não se limita a “enviar” informações, mas também as “recebe”. Isso é conhecido como comunicação bidirecional, que é essencial para o planejamento de estoque.
As ações de atualização de preços geram sinais de confirmação das etiquetas de volta ao servidor, o que informa aos gerentes que as informações nas prateleiras estão atualizadas. Além disso, os mesmos sistemas que atualizam os preços nas prateleiras agora estão sendo usados para informar os gerentes sobre a disponibilidade variável dos produtos. Se o banco de dados de vendas indicar que um item está em falta, o sistema pode instruir automaticamente a etiqueta da prateleira a exibir a mensagem “Reabastecimento em breve” ou um código QR que direcione o cliente ao produto online para entrega em domicílio, aprimorando o atendimento ao cliente.

Sistemas mais sofisticados também incorporam sinais de “Heartbeat”. A cada poucas horas, cada etiqueta envia um pequeno sinal para a estação base, atualizando o status da bateria e o nível do sinal. Isso forma um sistema de autodiagnóstico que informa ao varejista quando uma etiqueta precisa de troca de bateria ou quando uma estação base está fora de operação. Essa prevenção de problemas é a chave para uma operação confiável e alta satisfação do cliente.
Como um parceiro de confiança com mais de 12 anos de experiência, Zhsunyco® acelera esse ciclo de feedback por meio de sua plataforma proprietária de IoT para o varejo. Nossas estações base ESL abertas utilizam o MQTT para sistema de PDV integrado e integração de sistemas, garantindo um fluxo de dados seguro e em tempo real com o 100%. Com um modelo de software do tipo “pague uma vez, use para sempre”, oferecemos uma solução econômica, mas de alta qualidade. Atendendo a mais de 41.500 lojas em todo o mundo, fornecemos ESLs de alto desempenho que fazem a ponte entre as prateleiras físicas e os insights digitais, permitindo que os varejistas alcancem uma gestão inteligente e orientada por dados com confiabilidade incomparável.
Superando obstáculos comuns na implementação da automação
Embora os benefícios sejam evidentes, a implementação de um sistema de gestão de produtos de varejo totalmente automatizado pode apresentar desafios. Identificar os possíveis desafios por meio de uma gestão de projetos adequada é o primeiro passo para implementar uma solução de forma eficaz.
Integração de sistemas legados
O maior obstáculo para os gerentes do varejo é lidar com os sistemas legados. Várias empresas varejistas tradicionais e consolidadas possuem bancos de dados antigos que não foram projetados para se integrar a aplicativos móveis contemporâneos e dispositivos de IoT. Esses sistemas operam com “lotes”, em vez de processarem “em tempo real”, sendo que as atualizações são feitas todas as noites.
Ao tentar conectar um novo sistema de automação a um banco de dados antigo, é necessário um “middleware” para fazer a ponte entre os dois. O middleware funciona como uma espécie de tradutor, monitorando o banco de dados antigo em busca de atualizações e convertendo-as para um novo formato que se comunique com o servidor na nuvem. Sem esse tradutor, o sistema automatizado não terá acesso aos dados necessários para saber o que há nas prateleiras.
Infraestrutura de rede e interferência
Uma loja de varejo é um ambiente desafiador para o bom funcionamento dos sinais sem fio. Estantes metálicas, grandes unidades de refrigeração e congelamento e até mesmo garrafas de líquidos podem facilmente bloquear e refletir as ondas de rádio de maneiras imprevisíveis. Além disso, o ambiente do setor de varejo está sempre repleto de sinais provenientes do Wi-Fi para visitantes, rádios dos funcionários e dispositivos com Bluetooth.
Não há estações base suficientes para eliminar as zonas sem cobertura nas redes necessárias aos varejistas devido à interferência nos sinais. Os dispositivos de rede devem ser projetados e implementados de forma a utilizar frequências de rádio específicas que não sejam comumente empregadas em redes Wi-Fi comuns, a fim de evitar zonas de automação com sinal fraco, já que o objetivo dos avanços tecnológicos não é que os sistemas de automação operacional dependam deles.

Custo Total de Propriedade (TCO) x Retorno sobre o Investimento Inicial (ROI)
Do ponto de vista financeiro, o Custo Total de Propriedade (TCO) em comparação com o Inicial Retorno sobre o Investimento (ROI) é um cálculo complexo. A compra de milhares de etiquetas eletrônicas e da rede necessária para operá-las exige um grande investimento inicial (CAPEX).
É provável que os gestores se concentrem no custo do hardware adicional em um sistema básico, em vez de na economia futura decorrente do aumento da eficiência dos sistemas automatizados. Um verdadeiro ROI deve levar em conta a economia resultante da redução no uso de etiquetas de papel e nos custos com tinta, a economia de milhares de horas de trabalho e a nova receita gerada pela participação ativa nas mudanças de preços. Essa é a visão abrangente da eficiência que não é evidente para muitas organizações. Os sistemas automatizados custam menos do que os sistemas manuais em um prazo superior a 5 a 7 anos.
Considerações finais sobre a gestão de produtos no varejo no futuro
A automação da gestão de produtos no varejo é a base da “Loja do Futuro”. Daqui para frente, a gestão dos produtos no setor de varejo será transformada pela Inteligência Artificial (IA).
Atualmente, a maioria dos sistemas é reativa: uma pessoa decide alterar um preço, e o sistema o faz. No futuro, os sistemas serão proativos. A IA será capaz de analisar a previsão do tempo local, os preços da concorrência, o comportamento do consumidor e o fluxo de clientes na loja, e até mesmo sugerir alterações de preço, seleção de produtos e recomendações de produtos, além de executá-las de forma autônoma. Nesse futuro, as etiquetas eletrônicas de prateleira e a rede de IoT são a “infraestrutura crítica”; os componentes físicos que permitem que a IA funcione. Os varejistas que estão implementando hoje esses sistemas automatizados de gestão de produtos não apenas economizarão com a automação das tarefas dos funcionários, mas também estarão configurando o sistema para operar em um mercado rico em dados de clientes. A borda da prateleira não é mais apenas um local para colocar um preço; é um ativo digital dinâmico que proporciona uma experiência superior ao cliente.